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Entrelinhas

07/08/2017 06:36 VINÍCIUS LEMOS/Midia News

Tenente pegou seis licenças médicas depois de morte de aluno

A tenente do Corpo de Bombeiros Militar, Izadora Ledur de Souza, acusada de torturar o aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, obteve seis licenças médicas desde o falecimento do jovem, em novembro passado. Os afastamentos concedidos à militar tiveram início 10 dias após Rodrigo Claro morrer em um treinamento conduzido por ela.

 Em 27 de julho, Ledur tornou-se ré pela morte do jovem, após a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, aceitar denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra ela e os militares Marcelo Augusto Revéles Carvalho, Thales Emmanuel da Silva Pereira, Diones Nunes Sirqueira, Francisco Alves de Barros e Eneas de Oliveira Xavier.

 A morte do aspirante ocorreu no dia 15 de novembro d e 2016, após intenso treinamento no Corpo de Bombeiros. Desde então, a atuação de Ledur vem sendo alvo de investigação e chegou a ser denunciada pelo Ministério Públcio Estadual (MPE). De acordo com edições do Diário Oficial do Estado, em 25 de novembro Ledur obteve a primeira licença médica para tratar da saúde. A permissão foi concedida até 24 de dezembro passado. A licença seguinte foi correspondente ao período de 9 de março ao dia 15 do mesmo mês.

 Depois das duas primeiras licenças, a tenente se afastou em meados de março deste ano e permaneceu sem exercer suas funções, sob a alegação de problemas de saúde. Edições do Diário Oficial deste ano revelam que a licença seguinte foi concedida de 20 de março até 18 de maio, sendo renovada de 19 de maio a 17 de junho e, posteriormente, de 18 de junho a 17 de julho. 

Na última quarta-feira (2), Ledur obteve nova licença médica, desta vez retroativa a 18 de julho, válida até 15 de outubro. Nas permissões para que a bombeiro se afaste, não são especificados os motivos de saúde alegados por ela para deixar temporariamente as funções.

Ação contra tenente

 

Ao aceitar a denúncia do MPE contra Ledur, a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, não acolheu pedido para decretar prisão preventiva da militar.

 

Porém, estipulou medidas cautelares, entre elas a utilização de monitoramento eletrônico; comparecimento mensal em juízo, para informar residência e justificar suas atividades; manter distância de quaisquer locais relacionados ao Corpo de Bombeiros Militar, inclusive da Secretaria de Segurança Pública, para evitar o risco de novas infrações; proibição de manter contato com as testemunhas arroladas pelo Ministério Público e suspensão do exercício de função pública de Tenente Bombeiro até o final da instrução processual.

 

De acordo com a juíza, o uso do monitoramento eletrônico é para que a militar não infrinja as outras determinações e não atrapalhe o andamento das investigações. “Todavia, há medidas cautelares diversas da prisão capazes de assegurar que a denunciada não volte a delinquir e não tenha qualquer influência junto a testemunhas, de modo a garantir tanto a ordem pública, quando a escorreita coleta de provas na instrução processual”, disse.“(...) cite-se e intime-se a acusada Iadora Ledur de Souza a tomar conhecimento da denúncia e formular defesa, bem como para que dê início ao cumprimento das medidas cautelares ora impostas”, determinou.

 

Denúncia do MPE

 

De acordo com a denúncia, feita pelo promotor Sérgio Silva da Costa, o fato aconteceu no dia 10 de novembro de 2016, durante o treinamento de atividades aquáticas, em ambiente natural, do 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. O MPE destacou que, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o aluno demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

 

Consta na denúncia que, embora o problema tenha chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos considerados reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda. Conforme o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que o aluno foi submetido a "intenso sofrimento físico e mental com uso de violência".

A atitude teria sido a forma utilizada pela tenente Izadora Ledur para punir Rodrigo, por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água. De acordo com a denúncia, feita pelo promotor Sérgio Silva da Costa, o fato aconteceu no dia 10 de novembro de 2016, durante o treinamento de atividades aquáticas, em ambiente natural, do 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.

 

O MPE destacou que, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o aluno demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios. Consta na denúncia que, embora o problema tenha chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos considerados reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

Conforme o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que o aluno foi submetido a "intenso sofrimento físico e mental com uso de violência". A atitude teria sido a forma utilizada pela tenente Izadora Ledur para punir Rodrigo, por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.

 

Relembre o caso

 

Rodrigo morreu após supostamente passar por uma sessão de afogamento na Lagoa Trevisan. Ele chegou a ser levado para o Hospital Jardim Cuiabá, na Capital, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por cinco dias. Em depoimento, colegas de curso de Rodrigo informaram que ele vinha sendo submetido a diversos "caldos" e que chegou a reclamar de dores de cabeça e exaustão.

 

Ainda assim, ele teria sido obrigado a continuar na aula pela tenente, que na época era responsável pelos treinamentos dos novos soldados da corporação. A tenente foi afastada da corporação logo após a morte de Rodrigo. No entanto, segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Júlio Cézar Rodrigues, esta não é a primeira vez que ela está sendo investigada por cometer excessos nos treinamentos.

 

Da primeira vez ela foi acusada - em uma denúncia anônima ao Ministério Público Estadual (MPE) - de fazer pressão psicológica em alunos durante os treinos do 15º curso de formação dos bombeiros. “Na época designamos um encarregado e foi feita uma sindicância, onde não foi apurada esta conduta por parte da tenente. Não foi constatada transgressão nem crime por parte dela. O resultado foi encaminhado novamente para o MPE e o processo foi arquivado. Por isso ela não foi afastada de suas funções”, disse o comandante, em entrevista coletiva no ano passado.

 

Se ficar comprovado que a tenente foi responsável pela morte de Rodrigo, as penas podem variar de advertência até a prisão.


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